Reflexões, Teoria da Dança

A dança para mim – por Melissa Rodrigues

A dança para mim é uma das melhores formas de expressão para o ser humano, e como bailarina, falo que é através dela que me liberto e sou quem realmente sou. Só ela me faz mostrar o que tenho por dentro e por fora, e não importa quantas vezes eu me perca e a minha vida fique sem rumo, será sempre dançando onde me encontrarei.

Eu acho que todos os apaixonados por dança pensam da mesma maneira, pelo menos um pouquinho, pois ela nos faz sentir mais livres, ela quebra barreiras e corta preconceitos. Não importa quem você seja, você também pode dançar. Pois na dança não existe negro, branco ou japonês, não existe o baixo ou o alto, e muito menos o esquisito.

Nela não existe tristeza, nela você só se solta conforme a música e liberta o ser que mora dentro de ti, aquele que está perdido e meio triste na escuridão que só precisa de uma luz para encontrar seu caminho para a própria felicidade.

Melissa Rodrigues tem 15 anos e começou a dançar aos três.

Reflexões, Teoria da Dança

A dança é universal – por Yasmin Miyamoto

 A dança serve para qualquer pessoa, pode ser loira, morena e todos os tipos de pessoas.

 A dança começou há muito tempo, quando as pessoas começaram a imitar os animais e a natureza.

 A dança liga os povos, e cada povo tem sua dança característica, que chamamos de dança caráter.

A dança é um tipo de expressão de arte, as crianças já nascem sabendo dançar, porque já tem instinto de dança.

 O que impede as pessoas de dançar é o julgamento das pessoas. Porque qualquer um pode dançar.

 Quando eu danço eu me sinto solta, feliz e livre.

Yasmin Miyamoto tem 8 anos e dança desde os cinco.

Reflexões, Teoria da Dança

Eu e a dança – por Emily Mayumi

A dança é essencial para mim porque adquiri milhares de fatores e definições, me despertou conhecimento, interesse de observar e aperfeiçoar movimentos de acordo com o som, a musicalidade e a contagem. Me faz sentir muitas emoções ao mesmo tempo, é desafiadora, e me faz enxergar coisas que eu não sabia que era capaz de realizar.

Procuro esquecer dos problemas, como se dançar fosse a solução para tudo, como seu eu soubesse ali como lidar e me faz sentir bem comigo mesma. Me enche de prazer e curiosidade, sempre com um gostinho de quero mais. Me sinto livre para me abrir com a dança, uma terapia, como se eu escutasse a música e a música soubesse o que se passa na minha cabeça e tocasse direto no meu coração, me acolhesse, me abraçasse. 

Não preciso falar nada, apenas sentir cada batida e mover o meu corpo para me expressar.

E a dança é cheia de surpresas, felicidade, orgulho, leveza, calmaria, paciência.

Penso que quando danço melhoro tudo em mim, por dentro e por fora. Porque a dança nunca me diz não, sou capaz de melhorar o que está a minha volta, de fazer acontecer, mostrar o lado positivo de tudo sempre. Posso fazer coisas que me inspiram, pois a dança me faz continuar, nunca desistir, e saber como errar e seguir. Me ajuda a levantar a cabeça e seguir em frente. 

Também me faz reconhecer a capacidade dos outros, me desperta admiração, me faz enxergar simplicidade e caráter através dos gestos. 

A importância da dança na minha vida, é principalmente o aprendizado que ela deixa todas as vezes que a vemos, ouvimos ou sentimos ela em nosso ser.

Emily Mayumi tem 15 anos, dança desde os 5, e é aluna e professora da Ciranda. Dá aula de Baby-jazz, Jazz Iniciante, Ritmos e Vídeo-clip.

Reflexões, Teoria da Dança

O que é a dança – por Eduarda Alves Valença

 A dança pra mim é uma união entre as pessoas. Ela é importante pra mim porque as pessoas se unem e fazem amizade.

 Hoje, a dança pra mim é importante porque fazer novos amigos é muito legal, e aprender novas culturas, e diversão, e divertimento.

 O amor, a alegria e etc., isso tudo faz parte da dança.

 Também podemos viajar para lugares que nunca conhecemos para dançar.

 Bom a dança pra mim é tudo isso.

 Beijos da Dudinha.

Eduarda Alves Valença tem 10 anos de idade e dança desde os 4 anos. Com a dança já teve oportunidade de viajar para diversos lugares e conhecer diferentes palcos, culturas, línguas e linguagens.

Reflexões, Teoria da Dança

A importância da dança na minha vida – por Esther Miranda

Para compreender o termo “dança” com o sentido que lhe foi dado nesta composição com clareza é necessário ter em mente que todas as modalidades e técnicas tornam-se irrelevantes para a criação desse texto. Atualmente, a dança é o que compõe o meu ser, e não apenas o “ser físico” (corpo e RG – o descritível), mas o meu eu que possui valores. A dança, observando como um todo, me gera a experiência de sentir, criar e aprender.

 Dentro de uma sala com linóleo e som eu sou uma figura moldável para o coreógrafo, dentro dos meus limites, que lentamente e com muito trabalho, vão sendo superados em aulas. 

 Pensando em limites, Nietzsche acredita que dançar é se superar. Sendo assim, eu vejo a dança como uma ferramenta de transcendência, pois há sempre um novo método de organizar meu corpo no espaço trabalhado. Transcende minha relação com o lugar, a mesma relação que se eu estivesse imóvel não seria a mesma.

Essa interação não ocorre só com o espaço, mas com a música também, por que a dança tende a me alinhar com a melodia. E pode existir dança sem música, mas música sem dança é raro, pois até para tocar o instrumento precursor daquele som o músico teve que se desenvolver em um movimento do corpo. 

Portanto, sem anular a importância psicológica, e as amizades feitas no meio artístico e as coisas que aprendi, para mim a dança é a possibilidade de experimentar o mundo de uma forma diferente e única.

Esther Miranda tem 17 anos, é professora de baby jazz no período da manhã na Usina das Artes Ciranda, e também é aluna de Jazz Musical. Dança desde os 8 anos.

Reflexões, Teoria da Dança

A Dança – por Eloísa Gabriel

 Dança para mim é uma arte e uma cultura, eu sinto que eu tô dançando e meu corpo relaxa.

 Às vezes, meu corpo ouve a música e começa a dançar. 

 A dança possibilita fazer novas amizades, a dança não tem limites, qualquer um pode dançar.

 E é também uma diversão.

 Eu amo a dança!!!

Eloísa Gabriel tem 9 anos e dança desde os seis.

Reflexões, Teoria da Dança

A dança e os alunos da Ciranda

“A dança é a linguagem escondida da alma” – Martha Graham

Depois da publicação do texto e da vídeo-aula sobre A dança e o ser humano, nós levantamos esse debate para os alunos da Ciranda, para que eles refletissem sobre o papel da dança na vida do ser humano e na vida deles próprios, e saíram reflexões incríveis que vamos reproduzir por aqui com a autorização dos pais e dos próprios alunos em alguns posts. Espero que vocês gostem de ler os textos das nossas bailarinas cirandeiras tanto quanto nós gostamos de recebê-los.

É um imenso prazer poder compartilhar isso com vocês. ❤

Reflexões

[Reprodução – Mundo Bailarinístico] Aula de Ballet Online, sim ou não?

Estamos passando por dias difíceis para todos nós. E essa quarentena pegou todo mundo de surpresa, e muitas escolas e plataformas estão oferecendo aulas de ballet online para seus alunos e muitas vezes também para os seus não-alunos. É compreensível que escolas e professores estejam desesperados, afinal, é uma crise que pode fazer com que muitos trabalhos tenham que recomeçar do zero quando tudo isso passar… Porém, é preciso também responsabilidade e cautela.

Existem muitas coisas que podem ser feitas neste período: conteúdos teóricos, sugestões de leituras; assistir filmes, repertórios completos e séries…

Porém, também compreendo que os bailarinos queiram se manter ativos neste tempo ocioso, tanto para ajudar a preencher o vazio quanto para tentar manter seus trabalhos corporais. Mas é essencial trabalhar a consciência de níveis. O que você não está apto a fazer? Sem exageros e euforias. 


Me assusta muito ver tantas professoras e influenciadoras com os pés nas cadeiras, criando barras com vassouras, pois a gente não sabe quem está seguindo esses conselhos do outro lado. E como estamos sem acesso ao ballet, acabamos sendo atraídos por essas aulas online. 

Primeiro, acho importante realçar que tudo isso é em caráter emergencial ❗️ Acho bastante perigoso que uma pessoa pratique ballet em casa, somente com orientação virtual. Entendo que fazer alguns exercícios em casa é aconselhável, mas apenas exercícios básicos, de fácil execução, de alongamento, os que não precisam de barra, os que já tenha aprendido, que está acostumada e sabe fazer sozinha fora da sala de aula.

Nossa arte é pautada por características técnicas específicas e trabalha diretamente com essa técnica aplicada ao corpo para existir. Pode parecer fácil, mas não é. “O ballet clássico não é uma arte autodidata, ele é uma mistura de conhecimentos físicos e técnicos e apenas um professor qualificado pode ensinar a você. O estudo em casa é um complemento do estudo em sala de aula”, disse a Cassia Pires do blog Dos passos da bailarina.

Pode parecer inofensivo tentar aprender com vídeo-aulas, mas isso vai gerar um aprendizado equivocado e sujo de uma técnica que precisa ser lapidada aos poucos e que levamos muito tempo para aprender e aprimorar. Quando falamos de sapatilha de ponta então, essa questão fica ainda mais grave. A bailarina pode se machucar e provavelmente terá um resultado muito longe do satisfatório, bem distante do que caracteriza o ballet clássico.

LEMBREM-SE: se aqueçam (alongar NÃO é aquecer)!

Escolham o melhor espaço. Optem por exercícios menos complexos e espaços maiores, com pisos mais adequados dentro do possível. Cuidem-se! Pois quando tudo isso passar, vocês precisam estar prontos para voltar e tudo que a gente não precisa é de vocês indo ao hospital tratar lesões!

Procure saber a formação do profissional que está te dando dicas! Muitas vezes é alguém sem capacitação que fala de ballet com falsa “propriedade”. Na dúvida do que podem ou não fazer (em casos de conteúdos que não são da sua escola), perguntem para os professores de vocês, ok! Peçam indicações e autorização para eles 😉 

Este post é uma reprodução levemente alterada do post do Mundo Bailarinístico, escrito por Dryelle Almeida.

Reflexões

Eu louvo a Dança

Eu Louvo a Dança,
Pois ela liberta as pessoas das coisas,
Unindo os dispersos em comunidade.
Eu louvo a Dança
Que requer muito empenho,
Que fortalece a saúde, o espírito iluminado
E transmite uma alma alada.
Dança é mudança do espaço, do tempo,
Do perigo contínuo de dissolver-se
E tornar-se somente cérebro, vontade ou sentimentos.
A Dança requer o homem libertado,
Ondulado no equilíbrio das coisas.
Por isso eu louvo a Dança.
A Dança exige o homem
Todo ancorado em seu centro
Para que não se torne, pelos desejos desregrados,
Possesso de pessoas e coisas,
E arranca-o da demonia de viver trancado em si mesmo.
Oh Homem, aprende a Dançar!
Caso contrário, os anjos não saberão
O que fazer contigo!

(Santo Agostinho)
Teoria da Dança

A dança e o ser humano

Béjart fala que a dança é uma das coisas que mais une o homem, que é algo capaz de derrubar o mito da Torre de Babel, porque através da dela todos se comunicam, sem limites ou barreiras. E se pensarmos em momentos felizes e emblemáticos da vida de uma pessoa, sempre veremos que há dança envolvida: seja a valsa de quinze anos, a primeira dança de um casal no dia de seu casamento, jogadores de um time que acaba de ganhar um título ou fazer um gol fazendo uma rodinha  numa espécie de “tchu-tchu”, ou mesmo os jogadores néo-zelandezes, que sempre fazem uma apresentação de haka antes de começarem uma partida (para entrar em conexão com seus ancestrais maori).

É só ver, a dança sempre vai estar ali, porque dança é uma das mais puras expressões da cultura de um povo. E Béjart também brinca que se um bêbado se levanta e começa a dançar, logo é seguido por outro e mais outro e mais outro, e rapidamente teremos um grande grupo de bêbados dançando, e logo se forma uma turma coesa, unindo todos em torno de um interesse comum, não importando mais nada, nem língua, nem classe social, nem visão política, nada, só o movimentar de seus corpos é importante naquele momento.

A palavra dança, em todas as línguas européias (seja danza, dance, tanz etc.) derivam da palavra ‘tan’, que vem do sânscrito e significa tensão. Isso porque dançar é, acima de tudo, criar uma tensão muscular em seu corpo e estabelecer uma relação próxima e ativa entre o homem e a natureza. A dança surgiu para que o homem pudesse identificar-se com o seu “ao redor”, captar os movimentos e as forças da natureza, e captá-los, imitá-los. Para o homem ancestral, esse expressar era algo forte e necessário. Basta parar e pensar que sempre que pensarmos em algo relacionado a alguma tribo, cultura etc. sempre vamos fazer relação com algum tipo de dança: há a dança da chuva, dança do acasalamento, dança de celebração de conquista etc. E se pararmos e pensarmos em dança caráter, há um sem fim de danças características de um povo, de uma cultura. E tudo isso é muito lindo e enriquecedor!!!

Então acho que já está claro que dança é uma expressão artística. E como toda expressão pura de arte é algo inato do homem. Por isso, podemos parar e pensar  que quase todo ser humano tem instinto/necessidade de dançar e também tem habilidade para isso. E é muito importante que se enfatize isso, que se martele isso na cabeça de todas as pessoas, que se insista nesse ponto: TODO SER HUMANO TEM CAPACIDADE PARA DANÇAR!

As limitações para isso somos nós criamos dentro de uma série de regras e normatizações que são posteriores ao instinto em si. Somos nós que dizemos que alguém não tem ritmo, que não tem molejo, que tem “dois pés esquerdos”, ou que é en dedans, que não tem abertura, que não sabe contar etc. etc. etc. E essas normas todas, ainda que sejam importantes, nada tem a ver com o impulso da dança em si. Por isso é importante que um professor de dança, além de buscar a constante evolução de seu aluno, também tenha um olhar atento para entender que este ou aquele pretendem seguir carreira como bailarino, e que outro pretende se enveredar pelos caminhos da educação ligada à dança, e que também há aqueles que apenas o fazem como uma atividade física que é mais prazerosa, mas sem nenhum tipo de ambição ligada a esta arte. Há uma infinidade de motivos/necessidades de um aluno estar dentro da sala de aula, e o professor precisa ser flexível o suficiente para atender a cada uma destas demandas.

Voltando para a dança, ressaltamos que a dança, antes de ser uma atividade física, é uma arte. E a arte faz parte de um todo mais amplo, que é a cultura. Cultura é tudo aquilo inserido num universo que inclui conhecimento, arte, crenças, leis, moral, costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo ser humano que o torna parte de uma sociedade. Cada povo tem sua própria cultura, que surge influenciada por diversos fatores. É um conjunto de ideias, comportamentos e práticas sociais, que passam de geração em geração através da vida em sociedade. Ou seja: cultura é a herança social da humanidade. E Cultura é um organismo vivo, que está sempre em movimento, agrupando, descartando, agregando, evoluindo, se desenvolvendo e é um retrato do homem de seu tempo. A principal característica da cultura é sua capacidade de adaptação, porque ela demonstra a habilidade do indivíduo em responder ao meio de acordo com a mudança de hábitos. Por esse motivo há alguns estudiosos que a consideram tão importante quanto a própria evolução biológica. Isso porque o mecanismo cumulativo cultural passa adiante as modificações trazidas de uma geração para geração seguinte, e que no decorrer do tempo vai se transformando, sempre pensando em tornar melhor a vivência das gerações – porque viver não é sinônimo de sobreviver, pra sobreviver a gente precisa de apenas de ar, água e alimento. Mas para viver, a gente passeia por aquela máxima dos Titãs: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. E este é um conceito que vem desde a Roma Antiga com a política do Panis et Circenses – que utilizava a arte, o entretenimento como forma de dominação – quando você oferece ao povo algo que o distraia e entretenha, além de mantê-lo nutrido e alimentado, fica muito mais fácil conseguir manipulá-lo.

De acordo com o filósofo francês, Roger Garaudy, a dança é um modo de existir, e é uma expressão ligada à magia, religião, trabalho, festa, amor e morte. E isso, faz com que os homens dancem em todos os momentos solenes de sua existência. Dançar é estabelecer uma relação ativa entre homem e natureza, é participar do movimento cósmico e do domínio sobre ele.

E ele sentencia que dançamos a vida e que é preciso expressar nossos sentimentos e nossas batalhas cotidianas, e com isso refletir para o público o movimento da vida. Transmitir através disso a relação do homem com ele próprio, com a natureza, com a sociedade, com o inconsciente, com o sobrenatural, com seus sentimentos e suas emoções. É preciso dizer algo ao dançar, como toda forma de expressão e arte. Com o corpo e a coreografia, estamos passando uma mensagem, e é preciso se envolver para que a mensagem seja passada. Por isso, convido vocês a refletirem sobre o que é a dança para vocês, isso indo muito além de qualquer barreira limitadora, não importa se vocês praticam ballet clássico, jazz, danças urbanas etc. O importante é refletir sobre o papel da dança na sua vida. O que você sente ao colocar seu corpo em movimento, porque você escolheu essa atividade dentre tantas outras? E o que você pretende transmitir através dessa arte? Vamos pensar a respeito?